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Juruva passa dias escavando túnel para preparar ninho na Mata Atlântica

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Juruva passa dias escavando túnel para preparar ninho na Mata Atlântica
Juruva passa dias escavando túnel para preparar ninho na Mata Atlântica (Foto: Reprodução)

Initial plugin text Na entrada de um barranco, um pequeno movimento chama a atenção. A juruva (Baryphthengus ruficapillus) chega, entra no túnel e desaparece na terra. Pouco depois, retorna ao mesmo ponto e continua o trabalho. A cena se repete há mais de 20 dias em uma área de Mata Atlântica em Lumiar, distrito de Nova Friburgo (RJ). 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram O registro foi feito na área do Altos de Lumiar Birding Lodge, pousada que vem acompanhando a ave durante o período de preparação do ninho. A ideia é monitorar a juruva ao longo das próximas etapas da nidificação e, se tudo correr bem, acompanhar também a chegada dos filhotes. “Ela já está há mais de 20 dias trabalhando no ninho. Estamos monitorando para ver se fechamos o ciclo completo da nidificação”, conta Peter Estermann, proprietário do local. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: CONSERVAÇÃO: Terra da Gente participa de evento sobre conservação, com tema: 'onde nasce a pauta ambiental' ECA AMBIENTAL: Nova lei garante direito de crianças à natureza e prevê mudanças em escolas e cidades PEQUENA VIAJANTE: Patativa-tropeira é ave migratória que percorre mais de 3 mil km por ano em busca da sobrevivência Um ninho escavado na terra Juruva passa dias escavando túnel para preparar ninho na Mata Atlântica Altos de Lumiar Birding Lodge A juruva tem um jeito pouco convencional de preparar o lugar onde vai criar os filhotes. Em vez de construir uma estrutura entre galhos, a ave escava um túnel em barrancos de terra. No fim da galeria, uma câmara serve de abrigo para os ovos e, posteriormente, para os filhotes. Esse túnel pode ter entre 60 centímetros e 1,20 metro de profundidade. A espécie também pode aproveitar estruturas já existentes no ambiente, como tocas de tatus, cavidades feitas por outros animais e até formigueiros de saúva abandonados. “É bastante curioso, porque ela pode construir o ninho tanto em barrancos como aproveitar tocas de tatus e cavidades feitas por outros animais diretamente no solo”, explica o biólogo e consultor técnico Kassius Klay Santos, doutorando pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). A postura costuma ter de dois a três ovos brancos. Em alguns casos, dois casais chegam a construir ninhos lado a lado, com túneis separados por apenas 23 centímetros. No registro feito em Lumiar, o trabalho da juruva já se estende por semanas. A cada entrada e saída do túnel, a ave avança na construção do espaço que poderá receber uma nova geração. Uma ave discreta dentro da mata Com cerca de 42 centímetros e uma plumagem bastante característica, o corpo da juruva reúne tons de verde, azul e laranja, enquanto a cabeça apresenta uma máscara escura e um bico forte. Apesar do tamanho e das cores marcantes, a juruva costuma passar boa parte do tempo no interior da floresta. É uma espécie ativa durante o dia e pode ser observada caminhando e cisca­ndo no solo em busca de alimento. Juruva Marcos Paiva Essas aves costumam ser observadas aos casais, acompanhando bandos mistos de aves ou até mesmo correições de formigas no sub-bosque. Além disso, são conhecidas pelo canto emitido pouco antes do amanhecer. Para quem não está acostumado com a vocalização, o som pode até lembrar o de uma coruja. A juruva ocorre principalmente nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, mas também pode ser encontrado em áreas de Mato Grosso do Sul, Bahia e Goiás. Está fortemente associado à Mata Atlântica, ocupando desde áreas de baixada até regiões montanhosas, podendo aparecer em altitudes de até 1.200 metros. Vive nas baixadas litorâneas e em montanhas de até 1200 metros de altitude, em matas primárias com sub-bosque de bambus, em matas de encostas ou matas secundárias altas Rudimar Narciso Cipriani No caso registrado em Lumiar, o comportamento mais chamativo é outro. Há semanas, a ave retorna ao mesmo ponto para continuar a escavação e preparar o espaço que poderá abrigar a próxima geração. O monitoramento também rendeu um registro curioso durante a noite. Um gato-maracajá (Leopardus wiedii) foi filmado passando em frente à entrada do túnel justamente no período em que a juruva estava entrando e saindo do local. Gato-maracajá (Leopardus wiedii) foi filmado passando em frente à entrada do túnel Altos de Lumiar Birding Lodge O encontro não permite afirmar qualquer relação entre a presença do felino e o comportamento da ave, mas mostra a movimentação de diferentes espécies no mesmo trecho de mata. Agora, a expectativa é acompanhar os próximos capítulos dessa história. Se a nidificação seguir adiante, o túnel que vem sendo escavado há semanas poderá se transformar em abrigo para os ovos e, mais tarde, para os filhotes de uma nova geração de juruvas. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente